Nova variante preocupa? A variante BA.3.2 do coronavírus, conhecida como Cicada, já foi detectada em 23 países e apresenta maior capacidade de escapar dos anticorpos, mas especialistas afirmam que não há evidências de maior gravidade.
A variante BA.3.2 do coronavírus, apelidada de Cicada, tem sido monitorada em pelo menos 23 países desde o fim de 2024. De acordo com relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o destaque dessa linhagem está na sua habilidade aumentada de evadir a resposta imunológica gerada por vacinas ou infecções anteriores. Isso se deve a cerca de 70 a 75 mutações na proteína spike, estrutura usada pelo vírus para invadir as células humanas. Essas alterações são resultado da evolução natural do SARS-CoV-2, que constantemente sofre mudanças genéticas ao longo do tempo.
A BA.3.2 é descendente da linhagem BA.3, circulada brevemente entre 2021 e 2022. Embora tenha surgido em novembro de 2024 na África do Sul, em uma amostra coletada de um menino de 5 anos, só ganhou notoriedade com detecções posteriores em Moçambique, Países Baixos e Alemanha. A partir de setembro de 2025, os registros começaram a aumentar, atingindo seu pico na primeira semana de dezembro do mesmo ano. Até fevereiro de 2026, casos foram confirmados em viajantes nos Estados Unidos procedentes de Japão, Quênia, Países Baixos e Reino Unido.
Em alguns países europeus como Dinamarca, Alemanha e Países Baixos, a variante representou até 30% das sequências analisadas entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Apesar disso, não houve aumento significativo na incidência geral de Covid-19 nem sinais de doenças mais graves. O Brasil ainda não registrou nenhum caso da linhagem.
A Rede Global de Vírus afirma que os dados atuais não indicam risco elevado. Embora o escape imunológico possa facilitar infecções ou reinfecções, a proteção contra formas severas da doença permanece estável. A entidade ressalta que as mudanças observadas seguem o padrão esperado de vírus respiratórios e reforçam a necessidade de vigilância contínua.
A Organização Mundial da Saúde planeja reunir seu grupo técnico em maio de 2026 para avaliar a composição das vacinas. Serão analisados dados epidemiológicos recentes, a duração da imunidade e a eficácia das fórmulas atuais frente a novas variantes. Testes laboratoriais com a BA.3.2 também serão considerados para decidir se será necessária atualização nas vacinas no segundo semestre de 2026.
É proibido copiar os artigos deste site. A publicação dos artigos aqui postados em outros sites, blogs, impressos, trabalhos acadêmicos, ou trabalhos científicos deve seguir a regra da ABNT. Copiar deliberadamente na íntegra qualquer conteúdo deste site implica em crime, previsto no Código Penal. Lei do direito autoral. Todos os direitos reservados a Mais de Cristo de Florianópolis, SC, Brasil.
