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Saúde mental laboral


Como fica a saúde mental no trabalho agora? 
Novas regras para segurança e saúde no trabalho entram em vigor, exigindo que empresas identifiquem e controlem riscos psicossociais.


Em meio ao crescimento contínuo de afastamentos por transtornos mentais no ambiente laboral, as empresas brasileiras passam a ter obrigações mais claras com a entrada em vigor da atualização da Norma Regulamentadora número 1 NR-1. A nova redação exige que os empregadores avaliem e gerenciem os riscos psicossociais, como pressão excessiva, metas incompatíveis, sobrecarga de trabalho, jornadas mal organizadas, assédio, violência e falhas na comunicação. O objetivo é prevenir adoecimentos relacionados à saúde mental, antes que atinjam estágios críticos.


Dados do Ministério da Previdência mostram que em 2025 ocorreram mais de 530 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, um aumento significativo em relação a 2021, quando o número era cerca de um terço desse valor. Esse cenário reflete uma tendência preocupante, impulsionada por ambientes de trabalho cada vez mais desgastantes e pouco acolhedores.


Um exemplo relatado por uma profissional que preferiu manter o anonimato mostra como o esgotamento pode levar ao afastamento. Após enfrentar excesso de tarefas, equipe reduzida e grande demanda, ela precisou se afastar por burnout. Ao retornar, trabalhou por apenas uma semana antes de ser demitida, enquanto outra pessoa foi contratada para a mesma função, com salário maior. Sua experiência evidencia a falta de apoio e a cultura de descarte ainda presente em muitas organizações.


Outro caso, o da produtora Letícia Tavares, traz um contraponto positivo. Após sofrer um episódio depressivo severo em 2023, chegando a tentar o suicídio, ela foi afastada por três meses. A empresa onde trabalha ofereceu suporte integral, demonstrando cuidado com seu bem estar. Ela destaca a importância de ambientes que veem os colaboradores como pessoas, não apenas como mão de obra.


Ricardo Beça, diretor científico da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, enfatiza que a mudança na NR-1 representa um avanço na prevenção. As empresas devem focar nos fatores do trabalho que geram sofrimento, não em diagnosticar os funcionários. A saúde mental é uma responsabilidade compartilhada, mas a principal obrigação de criar ambientes saudáveis recai sobre as organizações.


O Ministério do Trabalho informa que, nos primeiros 90 dias, a fiscalização terá caráter orientador. Após esse período, multas e embargos poderão ser aplicados às empresas que não cumprirem as exigências.



Por jornalista Márcio Batista
Foto: (TheArkow/pixabay) Reprodução / Divulgação



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