Apesar da queda nos roubos e furtos de celulares em 2025, o Brasil ainda registra média alarmante de 95 aparelhos levados por hora, com cidades como São Luís, Belém e São Paulo no topo do ranking nacional.
O número de roubos e furtos de celulares no Brasil apresentou uma redução em 2025, segundo dados do vigésimo Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A queda, de quase 8% em comparação com 2024, pode parecer um avanço, mas especialistas alertam que os números continuam elevadíssimos. No total, foram registradas 830 mil, 890 ocorrências no ano passado, o que equivale a cerca de 95 celulares roubados ou furtados por hora em todo o território nacional.
Essa média constante revela uma realidade preocupante, mesmo diante de políticas públicas e campanhas de conscientização. O celular, cada vez mais essencial na rotina das pessoas, tornou-se alvo fácil para criminosos, especialmente em áreas urbanas com alta densidade populacional. Entre as cidades com as maiores taxas estão 14 capitais, o que demonstra que o problema está concentrado nas grandes metrópoles.
São Luís, capital do Maranhão, lidera o ranking com a maior taxa de roubo e furto de celulares por 100 mil habitantes, atingindo 1517 casos. Em seguida aparece Belém, no Pará, com 1487 registros, e São Paulo, que registrou 1390 ocorrências por 100 mil habitantes. Esses três municípios concentram os índices mais altos, mas não são os únicos onde o fenômeno se repete com intensidade.
Completam a lista das 10 cidades com maior incidência Salvador e Lauro de Freitas, ambas na Bahia, Porto Velho em Rondônia, Manaus no Amazonas, Olinda em Pernambuco, Ananindeua também no Pará e Teresina no Piauí. A presença de múltiplas cidades nortistas e nordestinas nesse grupo indica uma regionalização do problema, possivelmente ligada a fatores socioeconômicos, desigualdade e infraestrutura de segurança pública.
Apesar da redução percentual, o volume absoluto de crimes ainda é alarmante. Cada hora, quase um cento de aparelhos desaparecem em todo o país, muitas vezes em locais movimentados como ônibus, estações de metrô, ruas comerciais e até dentro de residências. A facilidade de revenda, o baixo risco de rastreamento efetivo e a alta demanda por dispositivos usados alimentam esse tipo de criminalidade.
Ainda que haja investimentos em tecnologias de bloqueio remoto e campanhas educativas sobre o uso seguro do aparelho em espaços públicos, a sensação de insegurança persiste entre a população. Muitos usuários relatam mudanças de comportamento, como evitar o uso do celular ao caminhar ou manter o aparelho escondido mesmo em ambientes considerados seguros.
O anuário reforça a necessidade de estratégias integradas entre governo, forças de segurança e sociedade civil. Medidas como aumento de iluminação pública, reforço no policiamento ostensivo em pontos críticos e aprimoramento dos sistemas de identificação de aparelhos roubados podem contribuir para uma redução mais significativa nos próximos anos. Enquanto isso, a vigilância individual permanece como primeira linha de defesa contra um crime que, embora em declínio, ainda afeta milhões de brasileiros.
Por jornalista Márcio Batista
Foto: (Jan Vašek / Pixabay) Reprodução / Divulgação
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