Como prevenir o câncer? Um levantamento do Instituto Nacional de Câncer revela que grande parte da população desconhece fatores de risco evitáveis para a doença.
Cerca de um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido, segundo dados de um estudo conduzido pelo Instituto Nacional de Câncer, o Inca, em parceria com entidades do setor saúde. A pesquisa, que ouviu seis mil e quinhentas pessoas em diferentes regiões do país, expõe uma significativa lacuna no conhecimento sobre hábitos que influenciam diretamente no surgimento de tumores malignos. Apesar dos avanços na medicina e da disseminação de informações, especialistas apontam que ainda há muito caminho a percorrer no campo da educação preventiva.
Menos da metade dos entrevistados reconhece a inatividade física como um fator que aumenta as chances de desenvolver câncer. O mesmo ocorre com a obesidade e o consumo frequente de refrigerantes, citados corretamente por pouco mais da metade da amostra como elementos de risco. Outros comportamentos igualmente preocupantes, como o consumo de carnes processadas, alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas, também apresentam baixa percepção entre a população. Esses fatores, amplamente associados ao aumento da incidência de diversos tipos de câncer pela comunidade científica internacional, ainda não foram internalizados como ameaças pela maioria dos cidadãos.
Por outro lado, a campanha contra o tabagismo se destaca como um caso de sucesso no combate à desinformação. Quase todas as pessoas ouvidas no levantamento afirmaram saber que fumar está diretamente ligado ao desenvolvimento da doença. Dois outros fatores também têm alto índice de reconhecimento: a herança genética e a exposição excessiva ao sol. Esses dados indicam que campanhas bem estruturadas e contínuas podem efetivamente mudar a percepção pública.
As projeções mais recentes do Inca estimam cerca de 781 mil novos casos de câncer no Brasil entre 2026 e 2028. Esse número representa um aumento de aproximadamente 11% em comparação com o período anterior. Entre os principais responsáveis por essa elevação estão o envelhecimento da população e a manutenção de hábitos considerados prejudiciais à saúde. Embora alguns fatores biológicos não possam ser alterados, especialistas reforçam que muitos diagnósticos poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e redução do consumo de substâncias nocivas.
A importância da prevenção é crescente diante do cenário epidemiológico atual. Estratégias de comunicação mais eficazes, aliadas a políticas públicas voltadas à promoção da saúde, são vistas como essenciais para reverter esse quadro. A informação, quando acessível e clara, torna-se uma das principais ferramentas no combate ao câncer.
Por jornalista Márcio Batista
Foto: (Open_Arms_Initiative/pixabay) Reprodução / Divulgação
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