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Bomba-relógio em SC


Javalis: a bomba-relógio que Santa Catarina não pode ignorar. Com mais de 200 mil exemplares no estado, os javalis devastam lavouras, ameaçam a biodiversidade e a segurança pública, exigindo uma resposta urgente e eficaz das autoridades.

 

Uma praga silenciosa avança pelo território catarinense, destruindo ecossistemas, arruinando a economia rural e colocando em risco a saúde da população. Os javalis, animais originalmente trazidos para fins comerciais e esportivos, escaparam do controle humano e se tornaram uma das maiores ameaças ambientais do sul do Brasil. 

Hoje, Santa Catarina enfrenta uma invasão sem precedentes, com mais de 200 mil javalis espalhados por cerca de 236 municípios, segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina, a Faesc. A situação exige não apenas atenção, mas ação imediata.


Esses animais, apesar de parecerem inofensivos à distância, são onívoros, extremamente adaptáveis e altamente reprodutivos. Em poucos anos, uma pequena população pode se multiplicar de forma exponencial, ocupando áreas urbanas, rurais e florestais. 

O impacto é devastador. Lavouras inteiras de milho, soja, arroz e hortaliças são consumidas ou simplesmente pisoteadas, gerando prejuízos milionários aos produtores rurais. Pequenos agricultores relatam perdas totais em suas colheitas, colocando em risco sua subsistência e a segurança alimentar local.


Além dos danos econômicos, os estragos ambientais são irreversíveis. Javalis possuem o hábito de fossar o solo em busca de alimento, um comportamento que destrói raízes de plantas nativas, expõe o solo à erosão e assoreia rios e nascentes. 

Espécies da fauna local, como aves que nidificam no chão, répteis e anfíbios, viram presas fáceis. O desequilíbrio ecológico é crescente, colocando em risco a biodiversidade única do bioma atlântico presente no estado.


O perigo também chega às cidades. Com a expansão urbana e a escassez de alimentos no campo, javalis têm invadido bairros residenciais, parques e até centros comerciais. Quando acuados ou ameaçados, atacam com suas presas afiadas, causando ferimentos graves em humanos e animais domésticos. 

Há registros de ataques a cães, gatos e até crianças em áreas periféricas. Além disso, esses animais são reservatórios de doenças zoonóticas como febre aftosa, peste suína clássica, brucelose e leptospirose, representando um sério risco à saúde pública.


Apesar da gravidade, a resposta institucional ainda é insuficiente. Algumas iniciativas foram tomadas, como o Projeto de Lei 287/2026, que prevê R$100 por javali abatido, mas a aplicação é limitada e exige burocracia que retarda o manejo efetivo. 

É urgente que as autoridades estaduais, municipais e federais unam forças para criar um plano integrado de contenção. Isso inclui campanhas de caça controlada, incentivo a caçadores legalizados, mapeamento rigoroso das populações e descarte sanitário adequado das carcaças.


Não há tempo a perder. A proliferação dos javalis não vai diminuir por si só. É necessário um manejo contínuo, é necessária a caça regulamentada, é necessário um esforço coletivo. 

Se nada for feito agora, o cenário futuro será de ainda mais destruição, prejuízo e perigo. A hora de agir é esta.



Por jornalista Márcio Batista
Foto: (SholDesigng / Diego Altman) Reprodução / Divulgação



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