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Vacina Butantan-DV


Vacinação contra dengue continua? 
Apesar da pausa temporária na aplicação da vacina Butantan-DV devido a eventos adversos raros, outras vacinas como Qdenga e Dengvaxia seguem disponíveis e sendo aplicadas normalmente no Brasil.


A campanha nacional de vacinação contra a dengue passa por um momento de reavaliação após o Ministério da Saúde anunciar, na segunda-feira 8, a suspensão temporária da estratégia que envolvia o imunizante Butantan-DV. A decisão foi tomada em conjunto com a Anvisa diante do registro de 42 casos com sinais de alerta, incluindo três classificados como graves, dois dos quais resultaram em óbitos. Esses eventos representam 0,008% das mais de 501 mil doses aplicadas até 30 de maio de 2026. Entre os sintomas observados estão dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, não previstos nos estudos clínicos iniciais. As investigações sobre uma possível relação com a vacina ainda estão em andamento.


Enquanto isso, estados e municípios foram orientados a manter as doses existentes em estoque, sem novas distribuições por enquanto. O diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, explicou que a medida é preventiva e que as vacinas devem permanecer armazenadas adequadamente nas redes de frio até nova orientação. Ele destacou que a vacina Qdenga, da Takeda, não apresentou sinais de alerta e continua sendo aplicada normalmente na rede pública.


A Qdenga, aprovada pela Anvisa em março de 2023, é indicada para pessoas entre quatro e 60 anos e já teve cerca de 8 milhões de doses administradas no país. No SUS, sua aplicação é restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Outra opção disponível é a Dengvaxia, da Sanofi, indicada apenas para pessoas de nove a 45 anos que já tiveram dengue, com aplicação em três doses e exclusividade na rede privada.


Quem já recebeu a Butantan-DV continua protegido, segundo o Ministério da Saúde. Mais de 90% dos vacinados não relataram efeitos colaterais, e os mais comuns foram leves ou moderados, como dor de cabeça, cansaço, manchas na pele e enjoos, desaparecendo em poucos dias. Casos semelhantes à dengue com febre são muito raros. A recomendação é monitorar a saúde por até 21 dias após a dose, procurando atendimento caso surjam sintomas graves.


Os dados epidemiológicos mostram queda significativa, de 94%, nos casos prováveis de dengue até o final de maio, comparado ao mesmo período de 2024. Apesar disso, a doença ainda é a maior endemia do país e a vacinação segue sendo uma ferramenta essencial no seu controle.



Por jornalista Márcio Batista
Foto: (fernandozhiminaicela/pixabay) Reprodução / Divulgação



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