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Direita ganha no Peru


Fujimori consolida vantagem nas eleições peruanas, reacendendo debates sobre legado político familiar e futuro das instituições.


Após semanas de apuração lenta e tensa, a candidata conservadora Keiko Fujimori emergiu como favorita quase inabalável na corrida presidencial do Peru. Com 99,8 por cento dos votos contados, sua liderança, embora ainda não oficializada, é considerada irreversível pela maioria dos analistas políticos. 

A diferença para o adversário, Roberto Sanchéz, situa-se em torno de 43 mil votos, um número simbólico diante da polarização que marcou o pleito. Ainda assim, a proclamação formal pode ser adiada até meados de julho, conforme indicam autoridades eleitorais locais, prolongando a incerteza jurídica e política no país.


O nome Fujimori carrega peso histórico no Peru. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou entre 1990 e 2000 com mãos fortes, implementando reformas econômicas radicais e combatendo com extrema dureza a insurgência terrorista de Sendero Luminoso, Keiko herdou não apenas um sobrenome marcado, mas também uma base sólida de apoio entre setores conservadores, empresariais e parte da população urbana média. 

Alberto Fujimori foi condenado por corrupção e crimes contra humanos, permanecendo preso por anos, o que torna a ascensão da filha um fenômeno emblemático de resiliência política.


Keiko Fujimori construiu sua trajetória como defensora de valores tradicionais, ordem pública e estabilidade econômica. Sua plataforma prioriza a manutenção de políticas neoliberais, incluindo a atração de investimentos estrangeiros, redução da burocracia e fortalecimento do setor privado. 

Defende endurecimento nas leis penais e maior autonomia para as forças de segurança, justificando que a criminalidade urbana e o narcotráfico exigem respostas firmes. Também se posiciona contrária à descriminalização das drogas, alinhando-se a grupos religiosos evangélicos e católicos conservadores.


Sua campanha explorou o medo do caos institucional e a insatisfação com a classe política tradicional, apresentando-se como figura capaz de restaurar a governabilidade. 

Apesar das acusações de associação com práticas autoritárias do regime paterno e de enfrentar investigações por corrupção, Keiko manteve fidelidade entre seus eleitores, que enxergam nela resistência contra o que chamam de esquerdismo radical.


A vitória, ainda que técnica, já provoca reações. O derrotado Sanchéz anunciou que não reconhecerá o resultado final, alegando irregularidades não comprovadas na apuração, o que pode gerar protestos. Organizações civis e observadores internacionais monitoram atentamente o processo, temendo novos episódios de instabilidade democrática.


O retorno de um Fujimori ao poder representa mais do que uma mudança de governo. É um teste às instituições peruanas, abaladas por sucessivas crises políticas nos últimos anos. A expectativa recai sobre como Keiko lidará com o equilíbrio entre eficiência administrativa e respeito aos direitos fundamentais, num país onde memórias dolorosas ainda ecoam.



Por jornalista Márcio Batista
Foto: (Keiko Sofia Fujimori Higuchi/Facebook) Reprodução / Divulgação



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