Eles padecem e nós? Enquanto cristãos em diversas partes do mundo enfrentam prisão, tortura, exílio e morte por sua fé, muitos na chamada igreja livre vivem uma espiritualidade acomodada, distante do sacrifício verdadeiro.
Em regiões como partes da África, Oriente Médio e Ásia, o simples ato de carregar uma Bíblia pode resultar em pena de morte. Homens são executados apenas por professarem seguir Jesus. Mulheres são sequestradas e forçadas a renunciar sua crença. Crianças são expulsas das escolas, rejeitadas pelos colegas, marcadas pelo ódio religioso. Aldeias inteiras são incendiadas, igrejas derrubadas, famílias separadas. Muitos perdem não apenas os bens materiais, mas também os entes queridos, os laços comunitários, qualquer perspectiva de futuro terreno.
Apesar disso, permanecem firmes. Não negam o nome de Cristo, mesmo diante da forca. Preferem entregar a vida a trair seu Senhor. Sua fé não é fruto de conveniência, mas de convicção profunda, selada em sangue e lágrimas.
Enquanto isso, em países onde há liberdade de culto, muitos cristãos discutem sobre a decoração da igreja, o estilo da música ou a demora do pastor no sermão. Faltam ao culto por causa da chuva. Abandonam a comunhão por desentendimentos menores. Vivem uma fé morna, que não transforma, que não custa nada.
A realidade da igreja perseguida deveria ser um espelho para a igreja confortável. Ela nos confronta com uma pergunta urgente: nosso evangelho é digno de sofrimento? Vale a pena morrer por aquilo em que dizemos crer?
A resposta está nas catacumbas, nas prisões secretas, nas ruas de aldeias arrasadas. Está nos olhos de um pai que vê seu filho levado por soldados apenas por ler as Escrituras. Está na coragem de uma mãe que canta louvores enquanto suas paredes desabam.
Essa não é uma história isolada. É um grito silencioso que ecoa em mais de 50 países onde a perseguição religiosa é sistemática. A igreja não está ausente nesses lugares. Ela está presente, sim, mas sangrando.
E nós, que temos liberdade para orar em voz alta, para reunir sem medo, para compartilhar nossa fé sem risco iminente, o que estamos fazendo com essa graça?
É tempo de despertar. De substituir a indiferença pela intercessão. De trocar o consumismo espiritual por serviço genuíno. De lembrar que a fé não é um adereço, mas uma entrega total.
Ore pelos que sofrem. Apoie organizações que assistem cristãos perseguidos. Seja voz por quem não pode falar. A igreja une-se não apenas na celebração, mas na dor.
A igreja perseguida sofre em silêncio, enquanto a igreja livre dorme no conforto.
Por jornalista Márcio Batista
Foto: (ErikaWittlieb/pixabay) Reprodução / Divulgação
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