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Antonelli fez história


Aos 20 anos, Kimi Antonelli conquista o Mundial de Fórmula 1 com quatro corridas de antecedência, iguala marcas históricas de Schumacher e Verstappen e encerra um jejum italiano de 73 anos na categoria.


A Fórmula 1 tem um novo campeão mundial, e a conquista representa um capítulo histórico para o automobilismo italiano. Aos 20 anos, Kimi Antonelli, o mais jovem a conseguir isso com 20 anos e 68 dias de idade, garantiu o título da temporada 2026 durante o Grande Prêmio do México, quando ainda restavam quatro etapas para o encerramento do calendário. O resultado colocou o jovem piloto da Mercedes em um grupo restrito de competidores que conseguiram assegurar o campeonato com tamanha antecedência.


Com o feito, Antonelli igualou marcas alcançadas por três grandes nomes da categoria: Michael Schumacher, Sebastian Vettel e Max Verstappen. O alemão Schumacher conquistou antecipadamente seus títulos de 2001 e 2004, enquanto Vettel confirmou o bicampeonato em 2011. Verstappen também entrou para essa relação ao garantir o segundo título mundial em 2022, igualmente com quatro provas restantes.


Apesar da expressiva conquista do italiano, o recorde absoluto de antecipação continua pertencendo a Schumacher. Em 2002, quando conquistou seu quinto campeonato, o piloto alemão confirmou o título no Grande Prêmio da França, seis etapas antes do encerramento da temporada. Naquele ano, porém, o calendário contava com apenas 17 corridas, número consideravelmente inferior às 24 provas que passaram a integrar a programação da Fórmula 1 a partir de 2024.


Outro nome que aparece nessa lista histórica é Nigel Mansell. O britânico garantiu o campeonato de 1992 durante o Grande Prêmio da Hungria, quando ainda faltavam cinco corridas. Mais de três décadas depois, Verstappen repetiu a marca em 2023, assegurando seu terceiro título durante a corrida sprint do Grande Prêmio do Catar.


A comparação entre diferentes épocas exige considerar também as transformações nas regras de pontuação. Entre 1991 e 2002, somente os seis primeiros colocados recebiam pontos, com dez para o vencedor e seis para o segundo colocado. Posteriormente, entre 2003 e 2009, a pontuação passou a contemplar os oito melhores pilotos. Desde 2010, os dez primeiros recebem pontos, sendo 25 destinados ao vencedor.


Entretanto, o significado da conquista de Antonelli vai muito além dos números. Seu campeonato encerra uma espera de 73 anos para a Itália, que não tinha um representante campeão mundial desde Alberto Ascari, em 1953. Com isso, o jovem piloto se tornou apenas o terceiro italiano a conquistar o Mundial de Pilotos.


A história italiana na Fórmula 1 começou em 1950, com Giuseppe Farina, primeiro campeão da categoria. Pilotando uma Alfa Romeo, ele venceu três das sete provas daquela temporada e superou Juan Manuel Fangio na classificação final.


Nos anos seguintes, Alberto Ascari assumiu o protagonismo. Defendendo a Ferrari, conquistou os campeonatos de 1952 e 1953, vencendo seis das sete corridas no primeiro ano. Sua trajetória terminou tragicamente em 1955, após um acidente durante testes em Monza.


Desde então, diversos italianos passaram pela categoria, incluindo Michele Alboreto, Riccardo Patrese, Jarno Trulli e Giancarlo Fisichella. Este último havia sido o mais recente italiano a vencer uma corrida, no GP da Malásia de 2006, até Antonelli triunfar na China em 2026.


A conquista também possui um significado particular por ter acontecido com a Mercedes, e não com a Ferrari, equipe historicamente associada ao automobilismo italiano. Integrante do programa de jovens talentos da escuderia alemã, Antonelli chegou à Fórmula 1 em 2025, aos 18 anos, após uma rápida ascensão nas categorias de base.


Sua chegada à equipe também representou o desafio de substituir Lewis Hamilton, que deixou a Mercedes para defender justamente a Ferrari.


Agora, com o título mundial confirmado no México, Antonelli transforma uma temporada marcante em um acontecimento histórico. Mais de sete décadas depois de Ascari, a Itália volta a celebrar um campeão mundial de Fórmula 1, desta vez pelas mãos de uma nova geração que já começa a escrever seu próprio legado.



Por Jornalista Márcio Batista
Foto: (Andrea Kimi Antonelli Official no Facebook) Reprodução / Divulgação

 

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