Mudança na jornada de trabalho pode provocar a perda de 27 mil empregos formais em Santa Catarina e acender um alerta para o futuro do comércio e dos serviços.
A proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1 e reduzir a jornada semanal pode provocar consequências significativas para o mercado de trabalho em Santa Catarina. Um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC) aponta que aproximadamente 27 mil empregos formais podem desaparecer caso as mudanças sejam implementadas nos moldes previstos pelo estudo.
A estimativa coloca em evidência os possíveis impactos econômicos da alteração na jornada dos trabalhadores, especialmente nos setores que dependem de equipes numerosas e funcionamento contínuo para manter suas atividades. Comércio, serviços e turismo estão entre os segmentos que podem enfrentar maiores dificuldades diante do aumento das despesas com mão de obra.
De acordo com os números apresentados pela entidade, o comércio catarinense poderá perder cerca de 13,6 mil postos de trabalho. Já o setor de serviços e turismo registra uma projeção ainda maior, com aproximadamente 13,7 mil vagas ameaçadas. Somados, os dois segmentos representam uma redução potencial de 27,3 mil empregos formais no estado.
Outro ponto destacado pelo levantamento é o aumento dos custos para as empresas. Com menos horas disponíveis de trabalho e a necessidade de reorganizar as escalas, os empregadores poderão enfrentar uma elevação significativa no valor da hora trabalhada. A Fecomércio SC estima que esse custo aumente 9,4% no comércio e 6,9% no setor de serviços.
Esse cenário pode exigir mudanças na organização das empresas, incluindo a contratação de novos funcionários para cobrir horários, a redistribuição das equipes e a revisão dos modelos de funcionamento. Para negócios que operam durante longos períodos, a adaptação poderá representar um desafio financeiro adicional.
A proposta também estabelece um cronograma para a redução gradual da jornada semanal. Conforme as informações apresentadas no levantamento, a primeira etapa está prevista para começar em 15 de dezembro, com a diminuição do limite máximo de 44 para 42 horas semanais. A mudança também prevê a garantia de dois dias de descanso remunerado.
Na etapa seguinte, prevista para dezembro de 2027, o limite semanal deverá ser reduzido novamente, passando de 42 para 40 horas.
A discussão sobre o encerramento da escala 6x1 envolve diferentes interesses. De um lado, está a expectativa de ampliar o tempo de descanso dos trabalhadores e melhorar a qualidade de vida. De outro, aparecem as preocupações relacionadas aos custos operacionais, à manutenção dos empregos e à capacidade financeira das empresas.
Em Santa Catarina, os números apresentados pela Fecomércio SC dimensionam o tamanho do possível impacto sobre a economia estadual. Embora representem projeções e não perdas já concretizadas, os dados indicam que a transição poderá exigir adaptações importantes de empregadores e trabalhadores.
O principal desafio será encontrar um modelo que permita avançar na redução da jornada sem comprometer a geração de empregos e a sustentabilidade das atividades econômicas.
Por jornalista Márcio Batista
Foto: (saldahnae do Pixabay) Reprodução / Divulgação
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