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Aviões dando voltas


Aviões circulando: há solução? Aviões dando voltas no céu revelam um problema bilionário que uma nova estratégia internacional pretende combater.


Aviões que circulam sobre aeroportos antes de pousar podem estar enfrentando um problema que vai muito além das condições meteorológicas. Em muitos casos, as manobras de espera são consequência do congestionamento aéreo, quando não há espaço disponível para receber novas aeronaves. Para reduzir atrasos, desperdícios e emissões de poluentes, a Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), agência ligada à ONU, defende uma estratégia global de coordenação dos voos.


O desafio cresce à medida que o transporte aéreo se expande. Segundo a ICAO, as companhias aéreas transportam aproximadamente 5,7 milhões de passageiros diariamente. Nesse cenário, uma tempestade, uma emergência ou o fechamento de determinada rota pode provocar atrasos que se espalham por diferentes países e comprometem operações realizadas a milhares de quilômetros de distância.


O impacto financeiro dessa desorganização é expressivo. Na Europa, os atrasos relacionados à gestão do tráfego aéreo custaram mais de US$ 2,3 bilhões em 2025, de acordo com a Eurocontrol, organização responsável pela coordenação da navegação aérea no continente.


A proposta da ICAO é ampliar o gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo, um modelo que permite o compartilhamento de informações entre aeroportos, companhias aéreas, controladores e serviços meteorológicos. A intenção é identificar possíveis gargalos com antecedência e ajustar os horários das decolagens antes que as aeronaves precisem permanecer no ar aguardando autorização para pousar.


O secretário-geral da agência, Juan Carlos Salazar, compara a situação ao trânsito urbano. Quando os semáforos funcionam sem coordenação, os veículos encontram bloqueios sucessivos e os congestionamentos aumentam. Nos céus, a falta de comunicação entre os responsáveis pelas operações produz um efeito semelhante.


A iniciativa não parte do zero. Testes colaborativos apoiados pela ICAO nas Américas economizaram mais de 265 mil minutos de voo em 2026. A redução representou uma economia superior a US$ 38,9 milhões, além de aproximadamente 13.330 toneladas de combustível e 42.160 toneladas de dióxido de carbono que deixaram de ser emitidas.


Na Europa, um programa da Eurocontrol que antecipa condições meteorológicas e períodos de congestionamento evitou cerca de 3,1 milhões de minutos de atrasos entre maio e agosto de 2026. A iniciativa gerou uma economia estimada em US$ 448 milhões e aumentou em 14% a estabilidade da rede nos dias mais difíceis.


Brasil e Colômbia já utilizam sistemas de gerenciamento de fluxo há anos, principalmente em âmbito nacional. Entretanto, a integração internacional continua sendo um obstáculo. Voos de longa distância atravessam diversas regiões aéreas, exigindo informações compartilhadas em tempo real para evitar interrupções.


Conflitos armados também agravam o problema. Desvios provocados por áreas perigosas, drones e mísseis podem sobrecarregar rotas alternativas e ampliar os congestionamentos.


Após cinco dias de negociações em Montreal, governos e representantes da indústria apoiaram a aceleração da implementação global do modelo. A ICAO prevê oficinas regionais em 2027 e novas regras internacionais para novembro de 2030.


Com a previsão de alcançar 12,4 bilhões de passageiros até 2050, a aviação enfrenta uma escolha decisiva: melhorar a coordenação internacional ou conviver com custos crescentes, atrasos e desperdício de combustível.



Por jornalista Márcio Batista
Foto: (magnific) Reprodução / Divulgação

 

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