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PIX errado?


As novas regras do Pix ampliam o prazo para contestação de fraudes e protegem comerciantes do golpe do Pix errado.


O cenário financeiro nacional passou por uma transformação significativa no início de setembro de dois mil e vinte e seis. O Banco Central implementou uma mudança drástica nas normas de segurança do sistema de pagamentos instantâneos. 

Agora os usuários contam com um prazo muito maior para contestar devoluções motivadas por fraudes. O tempo de análise saltou de trinta dias para oitenta dias. Essa alteração visa blindar principalmente os lojistas e os pequenos comerciantes que sofrem diariamente com a astúcia dos criminosos digitais.


A modalidade criminosa ficou conhecida nas redes sociais e nos noticiários como o golpe do Pix errado. A mecânica do crime é simples, mas extremamente eficaz. O estelionatário realiza uma transferência financeira para a conta de um comerciante ou de uma pessoa comum. 

Logo em seguida, o criminoso entra em contato alegando que o envio do dinheiro foi um equívoco e solicita o reembolso imediato. O detalhe crucial e perigoso está no pedido do golpista. Ele fornece uma chave de acesso ou um número de conta totalmente diferente daquele que originou a transferência inicial.


Se a vítima cair na lábia e fizer uma nova transferência para a conta indicada pelo criminoso, o prejuízo é certo. O golpista age em duas frentes simultâneas. Enquanto pede o dinheiro de volta por fora, ele aciona a instituição financeira onde possui conta utilizando o Mecanismo Especial de Devolução. 

Ele alega ser a vítima de uma fraude e solicita o estorno. Como o prazo de análise era curto, o banco da vítima original bloqueava o saldo e devolvia o valor para a conta do criminoso. O resultado final era devastador para o comerciante honesto que perdia a mercadoria ou o saldo e ainda via o golpista lucrar duas vezes com a mesma operação.


Com a nova regra, o comerciante tem muito mais tempo para perceber a armadilha e acionar os canais de atendimento bancário. Os especialistas em segurança digital reforçam que a atenção deve ser redobrada no momento em que o suposto erro acontece. A orientação principal é jamais realizar uma transferência manual para uma conta diferente da origem. 

O procedimento correto e seguro é acessar o aplicativo da instituição financeira, localizar a transação no extrato e utilizar a função nativa de devolução. Ao acionar esse botão específico, o sistema retorna o valor exatamente para a conta de origem, anulando qualquer chance de o criminoso receber o dinheiro em uma conta laranja ou de terceiros.


A ampliação do prazo para oitenta dias funciona como um escudo protetor para o varejo. Os pequenos empreendedores que dependem do giro rápido de caixa agora podem operar com mais tranquilidade, sabendo que o sistema bancário oferecerá uma janela maior para investigar e reverter transações suspeitas. A educação financeira e a desconfiança saudável continuam sendo as melhores ferramentas contra a engenharia social dos golpistas.


Portanto, ficar atento aos detalhes e seguir rigorosamente os protocolos de segurança estabelecidos pelas instituições financeiras é fundamental para evitar prejuízos e manter a saúde do negócio em tempos de ataques cibernéticos cada vez mais elaborados.

 

 

Por jornalista Márcio Batista
Foto: (Albrecht Fietz / Pixabay) Reprodução / Divulgação

 

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