A leitura atenta das Escrituras demonstra que a separação absoluta entre fé e governança não encontra respaldo bíblico
A Escritura Sagrada revela, de maneira inequívoca, que o governo civil e a adoração ao Deus vivo jamais foram esferas separadas na história de Israel.
O exegeta atento percebe que o trono e o altar estavam intimamente vinculados, e que a prosperidade ou a ruína da nação dependia diretamente da fidelidade do monarca à aliança com o Senhor.
O rei Davi governou conforme o coração de Deus. Em 2 Samuel 8:15 lemos que ele administrou juízo e justiça a todo o povo.
O Salmo 72, atribuído a Salomão, expressa o ideal do governante que roga a Deus justiça para julgar o povo com equidade. Sob Davi, Israel expandiu suas fronteiras, viveu segurança e celebrou a presença do Senhor. O rei ia ao Tabernáculo, adorava, compunha salmos e reconhecia que sua autoridade derivava exclusivamente do Altíssimo.
Ezequias constitui outro exemplo luminoso. Em 2 Reis 18:5 está escrito que ele confiou no Senhor, Deus de Israel, de modo que entre todos os reis de Judá não houve semelhante a ele.
Ezequias purificou o Templo, restaurou o culto, destruiu os ídolos e convocou todo o povo à adoração. O resultado governamental foi extraordinário: Jerusalém foi livrada do cerco assírio, a nação prosperou e o povo se alegrou grandemente.
Josias, por sua vez, ao encontrar o Livro da Lei no Templo, rasgou suas vestes, arrependeu-se e promoveu uma reforma espiritual sem precedentes, conforme 2 Reis 23:25. Ele celebrou a Páscoa como nenhum rei antes dele havia feito. Durante seu reinado, Judá experimentou paz e justiça social.
Contudo, a Escritura também registra o reverso trágico. Saul, o primeiro rei, começou ungido pelo Espírito, mas desobedeceu ao Senhor em 1 Samuel 15. O profeta Samuel declarou que o reino lhe seria tirado. A nação entrou em instabilidade, guerras e, por fim, Saul pereceu no monte Gilboa.
Manassés levou Judá à idolatria mais abominável, conforme 2 Reis 21:9. O texto sagrado afirma que ele fez Judá pecar mais do que todas as nações que o Senhor havia destruído. A consequência veio: o cativeiro babilônico. Zedequias, o último rei de Judá, rebelou-se contra Deus e contra Nabucodonosor. Em 2 Reis 25, vemos Jerusalém destruída, o Templo queimado e o povo escravizado na Babilônia.
Provérbios 29:2 declara com clareza: "Quando os justos governam, o povo se alegra; mas quando o ímpio domina, o povo geme." Este princípio não é mera poesia sapiencial, mas uma lei espiritual que atravessa os séculos. O governo que se curva diante de Deus promove justiça, protege o vulnerável e gera alegria coletiva. O governo que rejeita o Senhor abre portas para opressão, corrupção e escravidão.
Portanto, a leitura atenta das Escrituras demonstra que a separação absoluta entre fé e governança não encontra respaldo bíblico. Os reis que buscaram o Templo viram seus reinos florescer. Os que abandonaram o altar entregaram a nação ao cativeiro. O povo de Deus, em todas as épocas, necessita de líderes que governem de joelhos dobrados diante do Trono eterno.
Em Provérbios 29:2, o sábio ensina que líderes honestos trazem paz e felicidade ao país, enquanto líderes maus e corruptos causam sofrimento e dor à população.
Por jornalista Márcio Batista
Foto: (Anfaenger / Pixabay) Reprodução / Divulgação
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