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Candidatos cristãos


Candidato Precisa Ter Fé? 
Levantamento da Universidade Federal Fluminense aponta que a crença em Deus é requisito decisivo para a maioria do eleitorado brasileiro.


O cenário político brasileiro revela uma faceta profunda e inegável da sociedade nacional contemporânea. A religião deixou de ser apenas uma questão de foro íntimo para se tornar um critério rigoroso e inegociável na hora de escolher representantes. 

Um levantamento recente e detalhado do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião, da Universidade Federal Fluminense, trouxe à tona um dado absolutamente contundente sobre o perfil do eleitor. A maioria absoluta dos brasileiros considera fundamental que qualquer candidato a cargo público acredite em Deus de forma genuína.


Os números extraídos da pesquisa pintam um retrato fiel e muitas vezes surpreendente do eleitorado. Oito em cada dez cidadãos e cidadãs consideram essencial que os nomes nas urnas possuam crença no divino. Esse sentimento é ainda mais forte e enraizado nas classes mais pobres. Entre essa parcela da população, o percentual salta para impressionantes oitenta e nove por cento. 

A fé aparece como um pilar de confiança para quem busca melhorias no cotidiano. Por outro lado, a exigência diminui conforme a renda sobe. Entre os indivíduos que ganham de dez a vinte salários mínimos por mês, essa porcentagem cai para cinquenta e sete por cento. Ainda assim, o dado representa mais da metade do eleitorado de maior poder aquisitivo, provando que a espiritualidade atravessa todas as barreiras econômicas.


A percepção sobre o impacto direto da crença no comportamento humano também é reveladora. Sete em cada dez participantes do estudo concordam plenamente que Deus faz as pessoas serem melhores. Essa visão moral transcende os templos e invade as salas de aula. 

O debate sobre o ensino religioso nas instituições públicas ganha contornos de urgência para a população. Nada menos que oitenta e dois por cento dos entrevistados defendem que as escolas devem ensinar crianças e adolescentes a acreditar em Deus. A formação espiritual é vista como um complemento indispensável à educação formal, moldando caráter e cidadania desde a base.


Nesse contexto de busca por referências morais e espirituais, as instituições religiosas ocupam um espaço de grande relevância e poder. A confiança depositada nas igrejas reflete o peso dessas entidades na vida cotidiana das famílias. 

Mais da metade da população, exatamente cinquenta e um por cento, afirmou confiar nas Igrejas evangélicas. Esse dado demonstra a enorme capilaridade e a influência dessas comunidades, que muitas vezes atuam como redes de apoio social, moral e até político em regiões periféricas.


A intersecção entre fé e política nunca esteve tão evidente no país. Os candidatos que ignoram a dimensão espiritual do eleitorado certamente pagarão um preço alto nas urnas. 

A pesquisa da Universidade Federal Fluminense serve como um alerta claro para os estrategistas de campanha. O discurso puramente secular pode até ressoar em nichos muito específicos, mas a nação clama por representantes que compartilhem de seus valores transcendentais. 

A fé, ao que tudo indica, continuará sendo um requisito quase obrigatório para quem almeja governar o país nos próximos anos.



Por jornalista Márcio Batista
Foto: (wal_172619 / Pixabay) Reprodução / Divulgação



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