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Tainha na ALESC


Tainha sem pesca? A sessão da Alesc de 9 de junho destacou a indignação de deputados com a suspensão federal da pesca de arrasto da tainha, além de debates sobre saneamento, gestão pública e tradições regionais.


A sessão da Assembleia Legislativa de Santa Catarina realizada na terça-feira, 9 de junho, foi marcada por intensos debates sobre a suspensão da pesca da tainha na modalidade de arrasto de praia, decisão do Ministério da Pesca e Aquicultura que provocou forte reação entre parlamentares. 

A proibição entrou em vigor no domingo, 7 de junho, após a captura atingir 90% da cota autorizada para a temporada de 2026, equivalente a 1.198,8 toneladas. O governo federal justificou a medida como preventiva, com o objetivo de evitar a sobrepesca e garantir a renovação da espécie.


No entanto, vários deputados criticaram a decisão, destacando seu impacto negativo nas comunidades pesqueiras do litoral catarinense. Antídio Lunelli classificou a suspensão como uma injustiça e um ataque à tradição local, argumentando que a medida foi tomada de forma centralizada, sem consulta aos pescadores. 

Ele ressaltou que 419 licenças foram emitidas nesta temporada e que Santa Catarina representa cerca de 45% da produção nacional de tainha. Para Lunelli, a paralisação antecipada agrava os prejuízos econômicos, especialmente em um ano considerado de supersafra, quando o preço do peixe já havia caído significativamente.


A pesca por arrasto de praia é uma prática tradicional e artesanal realizada por pescadores que atuam próximo ao litoral. Nessa modalidade, redes longas são lançadas no mar a partir da areia, geralmente com auxílio de botes ou diretamente do costão, e depois recolhidas com força manual ou com o apoio de veículos adaptados. 

A técnica é amplamente utilizada em diversas regiões do litoral brasileiro, especialmente por comunidades pesqueiras que dependem economicamente dessa atividade. Por ser uma forma sustentável quando bem regulamentada, contribui para a subsistência de famílias, além de fazer parte do patrimônio cultural e histórico dos povos do mar.


Já a cota de pesca é um mecanismo de gestão estabelecido por órgãos governamentais responsáveis pela fiscalização e conservação dos recursos hídricos e pesqueiros. Esse limite define a quantidade máxima de uma determinada espécie que pode ser capturada durante uma temporada específica, com o objetivo principal de evitar a sobrepesca e proteger o ciclo reprodutivo dos peixes. 

Ao atingir um percentual crítico da cota, como os 90% registrados na temporada de 2026 para a tainha, medidas preventivas podem ser acionadas, como a suspensão imediata da pesca. Essa ação busca equilibrar a exploração econômica com a preservação ambiental, assegurando a renovação natural das espécies e a continuidade da atividade pesqueira para gerações futuras.



Por jornalista Márcio Batista
Foto: (Beesmurf/pixabay) Reprodução / Divulgação



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