Com estradas precárias, custos elevados e falta de alternativas eficientes, transporte se transforma no maior obstáculo à competitividade da indústria brasileira.
O sistema de transporte brasileiro se tornou um dos principais obstáculos ao desenvolvimento da indústria nacional. A falta de infraestrutura adequada, os custos logísticos elevados e a dependência das rodovias preocupam empresários e comprometem a competitividade das empresas. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), aproximadamente 75% dos industriais consideram o transporte o maior gargalo da infraestrutura do país.
O estudo Panorama da Infraestrutura: Principais Demandas da Indústria Brasileira ouviu representantes de 2.500 empresas de médio e grande portes, distribuídas pelas 27 unidades da Federação. Os resultados revelam problemas estruturais que atingem diferentes setores e demonstram a necessidade de ampliar os investimentos para modernizar a infraestrutura nacional.
Entre os segmentos avaliados, os aeroportos apresentam a melhor percepção dos empresários, com 64% de aprovação. Na sequência aparecem telecomunicações, com 62%, energia elétrica, com 60%, saneamento básico, com 48%, portos, com 44%, rodovias, com 38%, hidrovias, com 27%, e ferrovias, com apenas 21%.
A conservação das estradas aparece como uma das principais necessidades de investimento. Para 55% dos entrevistados, a baixa qualidade da malha rodoviária representa o maior problema do transporte. Outros 24% apontam a pouca disponibilidade de ferrovias em funcionamento como uma dificuldade relevante.
A situação também preocupa quando o assunto são os custos. Nos últimos dez anos, 91% dos industriais perceberam aumento das despesas logísticas. Para 70% deles, a elevação foi expressiva e prejudicou a competitividade dos negócios. A energia elétrica também pesa no orçamento, sendo considerada cara ou muito cara por 81% dos executivos. No transporte, essa avaliação chega a 75%.
De acordo com o especialista em infraestrutura da CNI, Ramon Cunha, os custos elevados de energia e transporte não afetam somente as empresas, mas toda a cadeia produtiva. O encarecimento desses serviços influencia os gastos de fabricação, a aquisição de insumos e a distribuição dos produtos até os consumidores.
Outro dado que chama a atenção é a dependência do transporte rodoviário. Atualmente, 98% das indústrias entrevistadas utilizam caminhões para transportar suas mercadorias. Em parte dos casos, os deslocamentos ultrapassam 1.600 quilômetros, evidenciando a concentração da logística em um único modal.
Para a CNI, uma alternativa seria integrar diferentes meios de transporte, reservando aos caminhões trajetos curtos e médios e ampliando a participação de ferrovias, hidrovias e cabotagem nas viagens mais longas.
A pesquisa indica que existe interesse nessa diversificação. Entre os empresários que utilizam rodovias, 45% aceitariam transferir total ou parcialmente suas cargas para outros modais, desde que houvesse infraestrutura adequada. As ferrovias aparecem como a alternativa preferida, mencionadas por 67% desse grupo.
A redução das despesas é o principal motivo para uma possível mudança, apontada por 82% dos executivos. Também foram mencionadas a diminuição de acidentes, a redução das emissões de gases poluentes e o combate aos roubos de cargas.
Além do transporte, o levantamento identificou dificuldades no fornecimento de energia, saneamento e conectividade. Interrupções no abastecimento elétrico, limitações nas redes de tratamento de efluentes e instabilidade da internet estão entre os problemas que afetam a atividade industrial.
Apesar do cenário, 99% dos empresários reconhecem que a infraestrutura é fundamental para a competitividade. Outros 98% defendem a ampliação dos investimentos públicos e privados, enquanto 63% consideram o transporte uma prioridade estratégica.
O documento da CNI também reúne propostas nacionais e 500 demandas regionais apresentadas pelas federações das indústrias. A iniciativa busca orientar investimentos e enfrentar problemas específicos de cada região.
O presidente da entidade, Ricardo Alban, avalia que as deficiências estruturais encarecem a produção e ampliam o chamado Custo Brasil. O levantamento foi realizado pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Os números reforçam um alerta: sem estradas melhores, alternativas ferroviárias e hidroviárias eficientes e custos mais equilibrados, a indústria brasileira continuará enfrentando dificuldades para competir e crescer.
Por Jornalista Márcio Batista
Foto: (magnific) Reprodução / Divulgação
____________________
É proibido copiar os artigos deste site. A publicação dos artigos aqui postados em outros sites, blogs, impressos, trabalhos acadêmicos, ou trabalhos científicos deve seguir a regra da ABNT. Copiar deliberadamente na íntegra qualquer conteúdo deste site implica em crime, previsto no Código Penal. Lei do direito autoral. Todos os direitos reservados a Mais de Cristo de Florianópolis, SC, Brasil.
